Nova conquista dos trabalhadores da saúde:
O COREN-RS foi interditado e sua diretoria deposta
A justiça finalmente foi feita: o COREN-RS sofreu intervenção federal e ficará fechado durante toda a semana. A atual diretoria foi destituída e assume uma junta interventora interina, que tem à frente o enfermeiro Altamir Félix, que presidirá até outubro a entidade, quando deverá tomar posse uma nova diretoria eleita de forma democrática e transparente.
A intervenção foi feita pelo COFEN (Conselho Federal de Enfermagem) com o apoio do Ministério Público Federal e Polícia Federal. Há muito tempo o SINDISAÚDE-RS vinha denunciando as inúmeras irregularidades cometidas pelo Coren-RS, como anuidades abusivas, compras sem licitação, desvio de verbas, processo eleitoral fraudulento, entre outras arbitrariedades.
A Polícia Federal realiza uma operação na sede do Conselho Regional de Enfermagem, o Coren-RS, na Avenida Plínio Brasil Milano. Eles estão em busca de documentos e computadores para comprovar uma possível fraude nas eleições para escolher o presidente do Conselho. Conforme o procurador-geral do Conselho Federal de Enfermagem, Ivo Borges, as mesmas pessoas eram eleitas por anos consecutivos, sem que novas chapas pudessem sequer se candidatar.Além disso, há denúncias de desvio de verba.
Anuidade de R$ 300,00 para enfermeiro, R$ 160,00 para técnico em enfermagem, R$ 111,00 para auxiliar de enfermagem. Estes eram os valores que os profissionais destas categorias desembolsavam para o COREN-RS para poder trabalhar. Os valores padrões seriam R$ 59,00 para enfermeiros, R$ 35,00 para técnicos e R$ 25,00 para auxiliares. Ou seja, o profissional desembolsava 5 vezes mais para ficar em dia com o seu órgão controlador.
Estas e outras situações estão sendo trazidas a público pelos representantes dos sindicatos e associações que questionam a atuação da última presidente do Conselho Regional de Enfermagem do Rio Grande do Sul, Maria da Graça Piva.
Somado a isso, informações de desvio de verbas, contratações sem licitação, problemas nos processos de compras e na sucessão dos representantes levaram o Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) a interditar por sete dias a sede do COREN-RS. A intervenção ocorreu ontem por recomendação do Ministério Público Federal.
As supostas irregularidades estariam ocorrendo desde 2005, quando tomou posse a diretoria comandada por Maria da Graça Piva, que foi destituída ontem mesmo pelo COFEN. Altamir Felix assumiu o cargo de presidente do conselho regional até outubro, quando ocorrerá nova eleição na entidade. Com isso, o processo eleitoral que estava sendo coordenado por Piva está cancelado.
Em 2005, o então presidente do Cofen, Gilberto Linhares Teixeira, foi preso pela Polícia Federal sob suspeita de participação em fraudes no Conselho. Em 2007, ele foi condenado. Teixeira teria sido o responsável pela indicação do COREN que foi destituído ontem. A presidente destituída do COREN afirmou que estava espantada com a ação porque as contas do seu Conselho sempre foram aprovadas... pelo COFEN.
Um novo presidente assumiu de forma interina, e eleições devem ser realizadas em outubro. A sede do Coren-RS está interditada. O Sindisaude entrou na Justiça para tentar reduzir a pelo menos metade o pagamento, que ficaria então em 53 reais. Os profissionais da saúde eram coagidos a votar em chapa única sob a ameaça de multa de valor exorbitante.
O SINDISAÚDE-RS assim que amanheceu o dia estava diante da sede do COREN-RS para presenciar a chegada da Polícia Federal e a decorrente intervenção, que aconteceu às 7:30 horas. “Não poderíamos deixar de testemunhar esse momento histórico para os trabalhadores da saúde. É uma grande conquista da categoria já há anos tenta comprovar para a sociedade que está sendo explorada por uma entidade que não cumpria com seu papel além de envergonhar sua categoria pelo modo nada ético de administrar a autarquia”, comentou o presidente do Sindisaúde-RS, João Roberto Menezes.
Como ato simbólico representando uma "limpeza" ética do Coren-RS, os delegados e Direção do SINDISAÚDE-RS fizeram uma faxina em frente ao prédio.
Fonte: Rádio Bandeirantes/RS
Vice-líder do governo pede intervenção no sistema Cofen-Coren's
Ele destacou que ao longo dos últimos anos, tem se manifestado, clamando por justiça no Cofen. "Mais uma vez aquela autarquia federal, passando por cima de todos os pressupostos democráticos, fará uma eleição nacional em todos os Conselhos Regionais, sem que a Enfermagem brasileira, e os mais de um milhão de enfermeiros, técnicos de enfermagem e auxiliares de Enfermagem, saibam quando é que abriu ou encerrou os processos de inscrição de chapas. Aliás, a Enfermagem Brasileira nem sabe que tem eleições. Ela saberá quando receber, por correspondência os votos que serão enviados. Que participação! Que democracia!"
O deputado condenou o processo eleitoral que "na calada da noite, escondidos atrás de publicações em jornais ou nas páginas não lidas da internet, publicaram editais sorrateiros, com prazos – mais uma vez exíguos –, com uma imensidão de documentos, que nos indica que é mais fácil ser candidato à Presidência da República do que a presidente de um Conselho Regional de Enfermagem. E, mais uma vez temos um acórdão entre grupos que não querem democracia. Que querem que as coisas continuem como estão".
Beto Albuquerque criticou os valores das anuidades cobradas e lembrou que esses recursos têm sido desviados para ações irregulares. "De dezembro de 2007 a janeiro deste ano, chegaram a estes mais de um milhão de trabalhadores, os boletos bancários das caras anuidades obrigatórias. Anuidades estas, que sustentaram o desvio milionário, da quadrilha que se apossou deste Conselho Federal há quase quinze anos. Lembro-lhes que em janeiro de 2005, um senhor presidente eterno foi preso e está condenado a 19 anos em regime fechado, por ter desviado cerca de 50 milhões de reais destes trabalhadores. Dinheiro este que não foi devolvido, não foi buscado pela própria autarquia. Dinheiro este que serve para continuar articulando com alguns Conselhos a continuidade deste império ditatorial". Ele lembrou que a arrecadação do Sistema, neste ano, será de aproximadamente R$ 250.000.000,00 (duzentos e cinqüenta milhões de reais).
Fonte: CNTSS